Pati Pontalti construiu uma trajetória que atravessa o jornalismo, a moda e, mais recentemente, a comunicação digital — sempre guiada por um olhar sensível, um senso apurado de estilo e uma capacidade genuína de se conectar com as pessoas. Nascida em Caxias do Sul, foi ali que iniciou sua formação, graduando-se em Jornalismo pela UCS, já com a inquietação de quem intuía que seu papel iria além de apenas informar.
Ainda durante a faculdade, começou sua carreira no jornal O Pioneiro, onde percorreu diferentes editorias e construiu uma base sólida. Iniciou como repórter policial e, mais tarde, migrou para Variedades. Foi nesse território que encontrou um espaço mais afinado com sua sensibilidade, especialmente ao cobrir eventos culturais e de moda. As viagens pelo país, nesse período, ampliaram não apenas seu repertório profissional, mas também seu olhar estético e humano.
Sua projeção ganhou força ao ingressar no jornal Zero Hora, em Porto Alegre, integrando o caderno Donna. Era um momento fértil para o jornalismo de moda no Brasil, marcado por produções elaboradas e um olhar autoral sobre comportamento. Nesse cenário, Pati não apenas se destacou como se tornou uma presença reconhecida — alguém que traduzia tendências sem perder de vista as pessoas por trás delas.
Foi nesse contexto, no início dos anos 2000, que nasceu a parceria com Patrícia Parenza. Juntas, ficaram conhecidas como “As Patrícias” — uma dupla que chamava atenção não só pela afinidade estética, mas pela presença marcante: duas mulheres elegantes, com identidade visual forte e uma atitude que atravessava o vestir. A frequência com que apareciam juntas em semanas de moda rendeu o apelido, criado por colegas de outros estados: “Lá vêm as Patrícias do Sul”. O nome virou marca e abriu um novo caminho profissional.
A partir dessa identidade, criaram a empresa As Patrícias, voltada à consultoria de moda para o mercado corporativo. O projeto cresceu e se desdobrou em desfiles, conteúdo especializado e palestras pelo país, consolidando uma atuação múltipla, que sempre uniu curadoria, informação e presença.
A parceria segue viva até hoje, ainda que em novos formatos. Patrícia Parenza direcionou sua carreira para a produção de eventos e para a música, atuando como DJ, enquanto Pati encontrou, no ambiente digital, um novo espaço de expressão. A virada aconteceu durante a pandemia de Covid-19, quando os contratos foram cancelados e foi preciso reinventar caminhos com rapidez — e coragem.
Foi nesse momento que Pati passou a investir de forma estratégica no Instagram. E ali, mais do que construir uma presença digital, construiu um espaço de encontro. Com frequência, publica vídeos pela manhã, muitas vezes com uma xícara de café nas mãos, compartilhando pensamentos, inquietações e leituras sobre o mundo. Há algo de íntimo e cotidiano nesses encontros — como uma conversa sincera que começa cedo e acompanha o dia.
Seus vídeos e depoimentos emocionam especialmente outras mulheres, pois tocam em temas sensíveis — e muitas vezes ainda tratados como tabu. Pati fala com franqueza sobre questões que atravessam o cotidiano feminino, criando identificação imediata. Ao mesmo tempo, insiste na importância de admirar e respeitar as diferenças, propondo um olhar mais generoso sobre si e sobre o outro.
Seu público é majoritariamente feminino, e suas falas dialogam especialmente com o universo das mulheres com mais de 40 anos — mas não se limitam a ele. Pati transita por temas como feminismo, menopausa, amor próprio, maternidade, relacionamentos, saúde e esporte, sempre trazendo seu ponto de vista com escuta, sensibilidade e posicionamento.
Sua franqueza, humanidade e empatia são suas principais forças enquanto mulher e comunicadora. Ao abordar aspectos muitas vezes “escondidos” da vida — não apenas imperfeições físicas, mas também relações imperfeitas, escolhas difíceis e atitudes contraditórias —, ela contribui para normalizar experiências reais. Mais do que isso, ajuda outras mulheres a reconhecerem sua própria força e suas qualidades para além dos padrões culturais impostos.
Ao mesmo tempo, segue compartilhando moda — não como regra, mas como liberdade. Seus looks frequentemente desafiam expectativas e desmontam a ideia de que existe um “jeito certo” de se vestir na maturidade.
Eventualmente, ela também aparece ao lado de Patrícia Parenza em vídeos conjuntos, retomando a cumplicidade que marcou sua trajetória. Nessas conversas, abordam os mais variados temas, mantendo viva uma conexão construída ao longo de décadas.
Hoje, mais do que influenciar, Pati Pontalti cria identificação. Sua trajetória revela não apenas uma capacidade consistente de adaptação às mudanças, mas uma coerência rara: do impresso ao digital, permanece o mesmo olhar atento, generoso e profundamente humano — aquele que, com franqueza, sensibilidade e empatia, segue tocando o coração de tantas mulheres.