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Mulheres que Amamos

Nina Cardoso

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Por Ana Guerra

27 de fevereiro de 2026

3 min |
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Há pessoas que se distinguem não pelo discurso, mas pela prática cotidiana de um propósito. Pessoas que compreendem o trabalho como missão pública, compromisso ético e intervenção concreta na realidade. Assim é Nina Cardoso – educadora no sentido mais pleno do termo. Em meio à maior crise sanitária do século, a pandemia de Covid-19, ela não apenas reagiu às circunstâncias: fundou, a partir do nada, um dos projetos sociais mais relevantes do Rio Grande do Sul, o Ascendendo Mentes.

Pedagoga de formação, iniciou sua trajetória ainda na graduação, quando foi convidada a atuar como educadora social em um projeto na Vila dos Papeleiros, em Porto Alegre. Desde o início, deixou claro que sua vocação não cabia entre paredes administrativas. Não se via como burocrata. Seu espaço sempre foi o território – as ruas, as casas, as famílias. Visitava os lares das crianças que abandonavam a escola, dialogava com responsáveis, buscava compreender ausências e reconstruir vínculos. Para ela, educação nunca foi apenas conteúdo curricular; é presença, escuta e mediação.

Na primeira organização em que atuou, seu compromisso rapidamente a conduziu a novas responsabilidades. Posteriormente, integrou a equipe da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul (antiga Febem), instituição responsável pelo atendimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade ou em conflito com a lei. Trabalhou também em abrigos, participando diretamente do acolhimento de crianças órfãs ou afastadas da família por violência ou dependência química.

Essa vivência não foi estatística – foi concreta. Nina conheceu de perto o rosto da pobreza extrema, a fragilidade das políticas públicas e a urgência de intervenções que ultrapassem o assistencialismo pontual.

Então veio 2020.

A pandemia da Covid-19 impôs o isolamento social, fechou instituições e interrompeu atividades presenciais. O local onde Nina trabalhava suspendeu suas operações. Mas ela não parou. Ao contrário: compreendeu que, naquele momento, sua atuação era ainda mais necessária.

Em comunidades como a Maria Degolada, na Vila Conceição, em Porto Alegre, as recomendações sanitárias eram praticamente inexequíveis. Como manter distanciamento em casas onde cinco ou seis pessoas compartilham um único cômodo? Como garantir higiene adequada quando falta água? Como falar em quarentena para mulheres autônomas – diaristas, manicures, trabalhadoras informais – cuja renda depende do trabalho diário?

Diante desse cenário, Nina mobilizou o que tinha à disposição: sua rede de afetos e confiança. Amigos, voluntários e conhecidos passaram a integrar uma cadeia solidária destinada a garantir o básico – alimento, água potável, medicamentos. Paralelamente, articulou um grupo de médicos voluntários para oferecer orientação e atendimento emergencial às famílias.

Trabalhava basicamente dentro de seu carro, indo e vindo levando e buscando – pessoas, comida, ajuda, amor – e felizmente contou com o trabalho de muitas mãos. Foi treinada por Edu Lyra, criador da Gerando Falcões, organização que atua em todo o país, educando e levando cidadania a comunidades vulneráveis.

O que começou como uma ação de urgência estruturou-se e ganhou nome: ONG Ascendendo Mentes. Mais do que assistência, o projeto consolidou-se como estratégia de transformação social, articulando educação, cuidado e dignidade. O projeto hoje atende cerca de 200 crianças de 10 a 18 anos.

Elas têm acesso a aulas de teatro, dança, coral, música e artes, além de sessões de jíu-jítsu – esporte que lhes ensina muito sobre disciplina –, e são preparadas para o mercado de trabalho. Aprendem a escrever um currículo, a como se vestir e falar em uma entrevista de emprego. Aprendem educação financeira: como abrir uma conta em banco e administrar seu próprio dinheiro. Em suma, aprendem a ser cidadãos e ganham ferramentas para alcançar seus objetivos de vida. Nina e os mais de 20 colaboradores e voluntários que atuam com ela estão mudando os rumos de vida de muita gente.

A história de Nina Cardoso reafirma que educação é ato político no sentido mais nobre do termo: compromisso com a vida coletiva. Em tempos de crise, quando as desigualdades se aprofundam, são figuras como ela que demonstram que a transformação social não nasce apenas de grandes estruturas, mas da decisão individual de agir – com coragem, competência e humanidade.

Porque há pessoas que se destacam. E há educadoras que iluminam caminhos.

Tags
#ASCENDENDOMENTES #EDUCAÇÃO #ESTILOZAFFARI #MULHERESQUEAMAMOS #ONG #REVISTAESTILOZAFFARI #TRANSFORMAÇÃOSOCIAL

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