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Vida
Celso Gutfreind
Equilíbrio
Cherrine Cardoso
Palavra
Luís Augusto Fischer
Cotidiano
Claudia Chaves
arte de Dominique Jardy

Artista francesa radicada no Rio de Janeiro, Dominique Jardy acaba de lançar o livro-arte Mata Adentro – Natureza e Arte. A obra reúne textos da historiadora Lorelai Kury e fotografias de Jaime Acioli, que registram murais e pinturas da artista em hotéis, restaurantes, fazendas e residências no Rio de Janeiro, Minas Gerias, Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul, destacando espaços como a Casa Farm, a Residência Afonso Prata, em Ipanema, no Rio, e a Residência Hallack, em Petrópolis (RJ). A artista também assina obras no Copacabana Palace, no Grande Hotel Termas de Araxá e na embaixada do Brasil em Praga, sempre com inspiração na fauna e na flora brasileiras.

Dedicada à pintura muralista, Dominique ressalta que sua proposta é levar a natureza para dentro de casa, explorando a paz e o bem-estar que a flora e a fauna transbordam. As plantas e os animais são protagonistas da obra da artista, de forma que suas pinturas criam diálogos diretos com a arquitetura e os ambientes internos. Folhagens tropicais, flores exuberantes e animais em movimento compõem cenários que parecem interagir com o observador, criando paisagens imaginárias que convidam à reconexão profunda com a natureza.

Nascida na França, Dominique Jardy vive no Brasil desde 1985, quando se encantou pela exuberância tropical brasileira, encontrando aqui uma nova fonte de inspiração. Sua arte, marcada por composições vívidas e envolventes, é uma fusão entre o estilo tradicional francês e a arte ornamental italiana, além de outras influências culturais diversas. A partir do final dos anos 1980, a artista incorporou definitivamente temas tropicais às suas pinturas, utilizando pigmentos naturais e tintas à base d’água, seguindo a tradição italiana da pintura mural.

Grande parte da inspiração de Dominique vem da observação direta da natureza. O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, tornou-se um de seus principais referenciais, percorrido inúmeras vezes em caminhadas e trilhas, o que a levou a perceber a necessidade de estudar mais profundamente o bioma local. A artista também dialoga com a tradição dos viajantes do século XIX, como Debret e Rugendas, reinterpretando paisagens, panoramas e fisionomias vegetais sob uma perspectiva contemporânea.
Para ela, trabalhar com figuras humanas é bem difícil, mas se considera “ousada” com os animais. Um dos seus trabalhos mais marcantes foi realizando na fachada da Fazenda Sossego, em São José do Vale do Rio Preto, onde Dominique revela um lado particularmente lúdico: a natureza deixa de ser paisagem e passa a brincar com a arquitetura. Construída em 1823, a Fazenda Sossego guarda a arquitetura das grandes casas rurais do período do café.

Entre janelas e portas da fachada, Dominique introduziu uma narrativa divertida, com gansos, quatis tocando tambor, macacos que observam tudo do alto da parede. Em alguns pontos, a cena ganha um tom quase festivo, como se os animais tivessem decidido tomar conta da casa. Mas a festa não para por aí: no interior da residência, a história continua, macacos se equilibram em cordas e bandeirinhas, atravessando a pintura como em uma pequena cena circense.
no Benjamin Osteria Moderna

O Benjamin Osteria Moderna acaba de demonstrar que uma experiência gastronômica já excelente pode ficar ainda melhor. No mês de março, o restaurante deu início a uma nova etapa, com uma bela renovação dos cardápios de almoço e de jantar.
Durante o dia, a ideia é proporcionar uma experiência leve e fluida, mantendo sempre as características de criatividade e excelência que são marca registrada da casa. O Il Pranzo do Benjamin, agora disponível também às segundas-feiras, é um almoço em três etapas – entrada, principal e sobremesa –, que a cada duas semanas renova as opções de pratos e suas combinações. O cardápio oferece massas, carnes, peixes e risotos, alternados segundo a sazonalidade dos ingredientes. O Riso Nero (risoto de tinta de lula, com lulas grelhadas e peperonata) já é um dos sucessos da temporada, assim como o Fettuccine Alfredo e Zafferano (com manteiga de açafrão, limão-siciliano, brócolis, grana padano e rúcula). Com o Il Pranzo, o cliente pode desfrutar de um almoço gostoso, leve, prático, com autenticidade e a assinatura do chef Bruno Hoffmann.

À noite, os elegantes salões do Benjamin são palco de jantares que agregam contemporaneidade, foco na nobreza dos ingredientes e no preparo essencialmente autoral, mas também toques de descontração e conforto. As entradas foram criadas para proporcionar compartilhamento; os comensais interagem ao saborear as escolhas feitas em conjunto. Um ótimo exemplo dessa proposta é a deliciosa “Whipped” Stracciatella, creme de burrata com tomates, uva verde e azeite de capim-limão, acompanhado de focaccia na brasa (feita na casa, a focaccia chega quentinha à mesa). A cremosidade da burrata é ímpar e a uva verde dá um toque todo especial. Uma entrada perfeita para compartilhar. Outra opção que já faz sucesso é o Cannoli di Tonno, um cone crocante com crudo de atum, azeite de páprica, gergelim e gel de maçã verde.

Para os principais, o novo menu conta com massas, como o Spaghetti al Pesto di Broccoli, o Pappardelle al Ragù Genovese, o Gnocchi di Polenta e Funghi e outras igualmente atraentes. Pratos que reforçam a identidade italiana da casa e, ao mesmo tempo, são profundamente autorais. Entre as carnes, merecem destaque o Wagyu Alla griglia, o Pesce del Giorno e o Polpo all’Amatriciana. Difícil mesmo, de verdade, é fazer uma escolha em meio a tantas opções convidativas. Sempre restam motivos para retornar muitas vezes à casa.
A hora da sobremesa, por muitos a mais esperada, é de fato um deleite. Experimentamos duas e ambas se tornaram inesquecíveis: o Cremoso al Cioccolato (cremaux de chocolate, texturas de framboesa e gelato de nozes) e Un altro Tiramisù (combinação de creme de mascarpone, caramelo de café, chocolate 70%, dacquoise e gelato de café e limão-siciliano). Porém, assim como acontece com as entradas e os pratos principais, as opções são diversas e têm potencial para causar grandes indecisões.

Benjamin Osteria Moderna
Edifício JBZ – Av. Carlos Gomes, 400 – térreo, Porto Alegre/RS
Horário de funcionamento:
Almoço: de segunda a sexta, das 11h30 às 14h30.
Jantar: de terça a sábado, das 19h às 23h.
HappyHour: de terça a sexta, das 17h às 18h30.
@benjamin.osteria

O Le Monde Café foi inspirado nas viagens e no desejo do casal de proprietários, Catherine e Carlos, de oferecer um lugar acolhedor com histórias nas paredes. O nome, em francês, significa “o mundo”, uma homenagem ao quanto acreditam que viajar, seja pelas páginas de um livro ou pelos sabores à mesa, é a melhor forma de aproveitar a vida. A casa fica na zona norte de Porto Alegre/RS, no bairro São Sebastião.
Entre as delícias que mais encantam os clientes está o cookie da nonna Doraci, receita que ela não compartilha com ninguém. A torta de maçã com sorvete, inspirada na famosa Apple Pie dos Estados Unidos, faz muito sucesso. O cardápio também inclui uma saborosa torrada feita de pão colonial, croissants, bolos caseiros, docinhos e outras especialidades.
Já o café mais pedido é o passado, preparado com grãos especiais da Baden Torrefação, que combina perfeitamente com o pão de queijo artesanal feito pelo Carlos. O Le Monde oferece ainda duas opções de almoços leves e práticos: bowls que combinam ingredientes frescos, proteínas leves, molhos e acompanhamentos equilibrados.
O espaço tem foco na literatura e implementou um sistema de empréstimo de livros. A pessoa interessada vai junto ao caixa para se associar à biblioteca, paga uma taxa, fornece seus dados básicos e ganha acesso ao acervo de livros. Além disso, o café também oferece aos clientes o já cultivado “blind date with a book”. A ideia é se encontrar às cegas com um livro e não fazer uma escolha baseada na capa. O livro vem embrulhado em papel kraft, com algumas dicas escritas sobre o estilo ou tema. Assim, a próxima leitura se torna uma interessante surpresa.


Com uma produção totalmente artesanal, a Mila y Birra traz as culinárias uruguaia e argentina para a Cidade Baixa, em Porto Alegre/RS. O ambiente intimista e acolhedor é ótimo para diferentes ocasiões: com amigos, em família, em casal ou em grandes grupos, na hora das comemorações.
Os destaques da casa são as famosas milanesas, prato tradicional da cultura rioplatense, mas há várias outras delícias, como empanadas, chivitos, panchos e as tortas fritas do chef. Tudo pode ser acompanhado pela típica cerveza uruguaya, o icônico fernet argentino, o clássico pomelo ou um dos vinhos característicos desses países.
As milanesas podem ser pedidas simples, sem cobertura, e com diferentes acompanhamentos, como salada, arroz, ovo, batata frita ou hummus de grão de bico. Mas as que fazem maior sucesso são as que vêm com cobertura, com destaque para a Maldonado (com molho de tomate da casa, mussarela, tomate confitado, molho pesto, chips de alho e manjericão) e a Paysandu (acompanhada de molho de queijos, bacon crocante, ovo frito, parmesão e ciboullete).
Para finalizar, a casa oferece duas sobremesas: flan de doce de leite e torta frita com açúcar e canela. Em breve, outros doces estarão no cardápio, entre eles a tradicional torta de limão.


À frente da confeitaria ursa, localizada no bairro Bom Fim, a chef confeiteira Ingrid Cavalli transforma a cozinha em um laboratório sensível de sabores e lembranças. Todo o menu é autoral, resultado de pesquisa cuidadosa e do universo lúdico que guia seu trabalho.
Entre as criações, destacam-se tortas de camadas perfeitas, como a colorida For Fun e a vibrante Colores, o intenso bolo Matilda’s, e os disputados Chocoamora e Milho Cremoso – um equilibro entre técnica, delicadeza e uma explosão de texturas.
A ursa também tem a colaboração criativa e robusta do professor e padeiro Alexandre Corrêa. Com alta qualidade técnica, ele assina os pães especiais da casa, incluindo cinnamon rolls e brioches buns, além de conduzir as aulas de panificação que acontecem na pequena casa branca da rua Santo Antônio, compartilhando conhecimento e cuidado artesanal com as turmas.
O cardápio muda toda semana, mas os carros chefes da casa estão sempre a disposição. No final de março será lançado o Menu Nostalgia, uma homenagem às sobremesas de domingo que habitam a memória de cada um, reforçando o compromisso da ursa com experiências que conectam passado e presente, sabor e afeto.
Para acompanhar todas essas delícias, a ursa oferece o café especial coado do dia, o Café Aurora (com tônica e suco de laranja), o suco da casa, que é o Waterloo Sunset (laranja e morango), chá gelado ou quente. Na entrada do outono volta ao cardápio o chocolate quente.
A confeitaria abre de quinta a domingo, no período da tarde, mas as encomendas podem ser feitas em qualquer momento que bater aquela vontade de comer um doce.


O Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, acaba de ganhar uma nova vinícola e um moderno restaurante, ambos sob o comando de Paulo Geremia, que já faz sucesso com a rede Di Paolo. Com consultoria do chef Rodrigo Bellora, a Paulo Geremia Vino & Cucina une vinhos com Denominação de Origem, arquitetura contemporânea e uma deliciosa experiência gastronômica.
O grupo gastronômico Di Paolo conta com 21 operações em cinco estados (RS, SC, PR, SP e RJ) e tem nova unidade prevista para Brasília ainda em 2026. Agora, Paulo Geremia direciona energias para o projeto autoral, com foco na produção exclusiva de vinhos com “Denominação de Origem Vale dos Vinhedos” e também de vinhedo próprio.
A arquitetura do novo espaço, com projeto de Letícia Zanesco, mescla concreto, cimento aparente, muita madeira e ferro. São cinco níveis de construção. Há uma parede de basalto natural na cave de espumantes, onde a água que verte da pedra oferece umidade natural para as barricas de carvalho, fazendo com que se mantenha a temperatura ideal para o envelhecimento do vinho. A área externa conta com jardim, deck e espaço para degustações ao ar livre, integrando o visitante com a paisagem.
O cardápio do restaurante, com consultoria do chef Rodrigo Bellora, do Vale Rústico, tem pratos para compartilhar. Das releituras de clássicos italianos – como tortéi, lasanha, polenta e ossobuco – até um excelente bacalhau às natas. Entre os vinhos da marca Paulo Geremia, o branco Chardonnay-Viognier e o tinto Tannat-Merlot. A casa vai comercializar vinhos com Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos e espumantes D.O. Pinto Bandeira.

A Paulo Geremia Vino & Cucina funciona com almoço de terça a domingo e jantar de terça a sábado, com atendimento das 11h às 22h.

Se existe um vinho que representa o terroir da Campanha Gaúcha, esse vinho é o Tannat. Para marcar a importância da casta, a Vinícola Almadén, em Santana do Livramento, acaba de lançar a experiência Tannat Almadén 50 Anos – História e Paixão, harmonizada com queijos de ovelha da região do Pampa.
A experiência começa no Museu Semente Almadén, passa pelo deck panorâmico e pela cantina, e culmina em uma degustação harmonizada de diferentes interpretações da Tannat, acompanhadas por queijos de ovelha artesanais de Livramento, a Capital Nacional da Ovelha.
Na taça, três expressões do terroir: o Tannat Almadén Jovem, o Tannat Reserva Miolo – Maceração Carbônica e o Tannat Vinhas Velhas, vinho ícone que integra a Coleção dos Sete Lendários da vinícola A experiência se encerra com o Brandy Miolo Imperial 15 anos, harmonizado com Toblerone Dark 50% cacau, em uma combinação inusitada que conecta potência, elegância e memória sensorial.
Com grupos reduzidos de até 15 pessoas, a experiência acontece de quarta a sábado, em dois horários (10h e 15h), mediante agendamento prévio, e reforça a vocação da Campanha Gaúcha para o cultivo da Tannat, variedade que encontrou no paralelo 31 um dos seus mais notáveis territórios de expressão no Brasil.


O Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves, destino enoturístico mais procurado do Brasil, vai comemorar o final da vindima com um baile de gala e três dias de festival com muita gastronomia, vinhos, música e cultura. O festival será realizado nos dias 27, 28 e 29 de março.
Para marcar a abertura do evento, no dia 27, acontecerá o jantar de Gala do Vale dos Vinhedos – Tempo e Legado. O banquete será realizado no Hotel Villa Michelon e propõe uma experiência sensorial, unindo alta gastronomia e rótulos emblemáticos do Vale dos Vinhedos – muitos deles ícones raros, de safras antigas, que já não estão mais disponíveis no mercado. O menu em cinco tempos será preparado pelo chef Rodrigo Bellora.

A partir das 11h do dia 28, terá início a programação gratuita, que inclui Espaço Cultural, com exposições de artesanato, artefatos históricos e equipamentos antigos de produção de vinho, além de oficinas, espaço gastronômico cultural e produtos locais. A Arena de Atividades e Jogos resgata tradições como a pisa da uva e jogos coloniais, enquanto atrações artísticas – com coral, dança, banda musical e intervenções teatrais – dão ritmo à celebração. O evento contará ainda com Espaço Kids. Às 19h, será a cerimônia de agradecimento à safra e, após, a abertura das barricas de vinho e distribuição da bebida. Para o consumo, será comercializada uma taça a R$ 5.
No domingo pela manhã, dia 29, o público será convidado a participar da Rota de Caminhada Vivendo o Vale, percorrendo caminhos alternativos entre vinhedos, com trajeto que terá início na Capela das Neves (famosa por ter sido construída utilizando vinho em lugar de água na argamassa) e finalizará na propriedade da Famiglia Tasca. Ao longo do percurso, os participantes visitam igrejas e capelas, participam de paradas com música, degustações, histórias e conteúdos sobre o terroir, além de terem contato com produtos locais. A organização do festival é da Aprovale.
