Neste verão de temperaturas bem altas, um vinho tem feito sucesso entre os apreciadores da bebida: o clarete. É um vinho que engana os sentidos. Parece um rosé carregado, de cor bem intensa, ou um tinto que não conseguiu alcançar o tom rubi característico dos mais potentes. Na verdade, o clarete está no meio termo entre o rosé e o tinto. Perfeito para beber gelado.
A legislação brasileira não tem uma norma que defina esse estilo de vinho. Os claretes podem ser feitos com o acréscimo de uvas brancas, mas o que dá cor ao vinho são as cascas das uvas tintas. O resultado pode ser obtido com a mescla de vinhos já prontos ou fermentando as uvas tintas e brancas juntas. Ou, ainda, apenas com uvas tintas, deixando por pouco tempo em contato com as cascas.
O resultado é um vinho com corpo leve, fresco, jovem, delicado, frutado e de teor alcoólico moderado. Na boca, apresenta menos taninos que os tintos e mais personalidade que os rosés. Costumam ter boa acidez, conferindo refrescância. por isso fazem bonito quando gelados.
Mesmo que causem desconfiança exatamente por essa característica. Beber um tinto gelado? No entanto, quem deixa o preconceito de lado e aceita provar, costuma se tornar apreciador.
Origem Francesa
A moda do clarete não é coisa desse verão. Ele foi moda da Idade Média até o século 19, e a onda veio da França. A palavra clairet, transformada em claret pelos ingleses, era usada para designar vinhos tintos de cor pálida. Ou seja, clarinhos.
O clarete já era um estilo típico de Bordeaux antes de virar febre internacional. Em 1152, Leonor de Aquitânia casou-se com Henrique Plantagenet, que se tornou rei Henrique II da Inglaterra em 1154. Este casamento colocou a região da Aquitânia, que incluía Bordeaux, sob controle inglês. Por quase 300 anos, Bordeaux e suas regiões vinícolas fizeram parte dos territórios da Coroa inglesa. Embora existisse uma pequena área dedicada à produção de vinhos na própria Inglaterra, rapidamente os vinhedos na Aquitânia se tornaram o principal fornecedor de vinhos para os ingleses. Já nesta época, o vinho proveniente dos territórios ingleses na França era chamado de claret, referência a uma palavra originária do francês. O adjetivo clairet descreve a algo de tonalidade ou consistência leve, onde a transparência assume papel central. No caso do vinho, se refere a um tinto leve, com baixa concentração de cor.
A partir do século 18, Bordeaux seria reconhecida por seus vinhos potentes, tânicos, de grande extração e envelhecidos em madeira, estilo copiado em todos os cantos vinícolas do mundo. Antes disso, sua principal vocação eram os tintos clarinhos, pouco extraídos, consumidos em grande quantidade pelos ingleses.
Atualmente, vinícolas brasileiras têm se dedicado à produção desses vinhos, que se adaptam muito bem ao clima tropical, com verões de altas temperaturas.

Harmonização
Por ser um vinho com características que o colocam entre o rosé e o tinto, é preciso levar em conta o estilo na hora de harmonizar. Vale considerar a leveza, a acidez e sutil presença de taninos. Fazem boa parceria com o Clarete:
- Carpaccio
- Ceviche
- Frutos do mar
- Peixes gordurosos
- Carnes brancas grelhadas
- Saladas variadas
- Queijos leves
- Tábuas de frios
- Charcutaria
- Massa de molho vermelho
- Pizzas
- Tartar
- Linguiça
- Pato
- Coração de galinha
- Legumes na manteiga