• Sabor
  • Colunistas
  • Bastidores de Cozinha
  • Mulheres que Amamos
  • Cesta Básica
  • Viagem
  • Beber
  • Estilo
Menu
  • Sabor
  • Colunistas
  • Bastidores de Cozinha
  • Mulheres que Amamos
  • Cesta Básica
  • Viagem
  • Beber
  • Estilo
Search
Close
Mulheres que Amamos

Maria Fernanda Santin

COMPARTILHAR

Por Ana Guerra

22 de setembro de 2026

5 min |
–+=

Maria Fernanda Santin nasceu em Belo Horizonte, mas suas primeiras memórias estão ligadas à vida no campo. Filha mais velha de três irmãos, cresceu em uma fazenda no oeste de Minas Gerais, numa região próxima a Brasília. Foi para a capital federal estudar Economia e, ainda na faculdade, sua vida tomou um rumo inesperado: conheceu o gaúcho Ricardo Santin, com quem se casaria aos 23 anos.

O casamento trouxe também uma mudança de cidade. Ela deixou Brasília e veio para Porto Alegre, onde concluiu a graduação na PUCRS. Depois, aprofundou sua formação com um mestrado em Desenvolvimento Econômico e um MBA em Gestão de Negócios. Durante anos, construiu uma carreira sólida na iniciativa privada, passando pelo mercado financeiro e por grandes empresas.

A adaptação ao Rio Grande do Sul foi rápida. Aos poucos, Porto Alegre deixou de ser apenas a cidade para onde havia se mudado por amor e passou a ser também um lugar de pertencimento. Maria criou raízes, fez amigos, construiu sua vida profissional e familiar. E, paralelamente, manteve por perto uma paixão que já a acompanhava havia muito tempo: a arte.

Ainda nos tempos da faculdade, estudou a arte também sob a perspectiva do investimento. Mas havia, para ela, outra dimensão que nenhum mercado consegue traduzir em números. A arte era – e continuaria sendo – fonte de inspiração, de reflexão e de alimento para a alma.

Foi a maternidade, no entanto, que provocou a grande virada de sua vida. O casal queria adotar, e há nove anos um trio de meninas apareceu no radar. Quando Maria viu a fotografia de Isadora, Yasmin e Luiza, teve uma certeza imediata: “São minhas filhas”.

A família que se formou a partir daquele encontro parece, para quem a observa de fora, ter sido desenhada pelo acaso. As meninas se parecem fisicamente com a mãe e, talvez mais surpreendentemente, também compartilham com ela traços de personalidade, gestos e maneiras de olhar o mundo. Quem descobre que não existe entre elas nenhum vínculo genético costuma se surpreender. Mas há coisas que o DNA não explica. O amor, a convivência, os hábitos compartilhados e os afetos também moldam uma família.

Com a chegada das filhas, Maria Fernanda começou a se aproximar ainda mais de uma pergunta que já estava presente em sua vida: como viver com propósito? Foi nesse momento que a arte deixou de ser apenas uma paixão paralela e ganhou espaço central em sua trajetória.

santin 2 - Revista Estilo Zaffari

Um de seus primos já era proprietário da Galeria Clima, em Brasília, e surgiu a possibilidade de criar uma extensão do negócio no Rio Grande do Sul. Maria aceitou o desafio. O projeto deu certo e, desde 2020, ela está à frente da operação gaúcha de uma das galerias de arte contemporânea de maior reconhecimento no Estado, representando artistas de projeção nacional.

No mesmo ano, ela se aproximou do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, o MACRS. Ofereceu seu conhecimento e sua experiência de gestão de forma voluntária e passou a atuar na Associação de Amigos do Museu. Tornou-se presidente da AAMACRS e assumiu um papel decisivo em uma das maiores empreitadas da história recente da instituição: trabalhar, em conjunto com sua equipe e parceiros, para viabilizar financeiramente a construção de uma sede própria para o museu.

Foram anos de articulação, reuniões, conversas, contatos e captação de recursos. Maria colocou a serviço do projeto uma habilidade construída ao longo de décadas no mundo corporativo: saber aproximar pessoas, identificar oportunidades, construir pontes e transformar uma ideia em algo possível.

Ao lado de um time formado por artistas, gestores, produtores e tantos outros profissionais que trabalharam incansavelmente, ela participou da construção de um sonho que durante décadas parecia distante. Depois de 30 anos de história, o MACRS ganhou uma sede própria em agosto de 2025, no 4º Distrito de Porto Alegre.
A inauguração daquele espaço representou mais do que a abertura de um novo endereço. Foi a materialização de uma luta coletiva pela valorização da arte contemporânea no Rio Grande do Sul.

A experiência também consolidou uma nova dimensão de sua atuação: a de aproximar o universo empresarial, a sociedade civil e as instituições culturais. Seu conhecimento de gestão passou a trabalhar em favor da arte — não apenas como mercado, mas como patrimônio, pensamento, educação e transformação.

Hoje, o trabalho voluntário em prol da cultura ocupa uma parte importante de sua rotina. Continua ligada à Associação de Amigos do MACRS, integra o conselho da Fundação Vera Chaves Barcellos e, em 2025, assumiu a copresidência da Fundação Bienal do Mercosul.

Ela assim vem ajudando a construir projetos que ampliam o alcance da arte para além dos espaços expositivos. Um deles é o Entre Artes, desenvolvido em parceria com o Banrisul Cultural, que, a partir de 2027, manterá um programa educativo permanente, voltado à rede pública de ensino, visando estimular a criatividade e o pensamento crítico. Serão atendidas 4 mil crianças e adolescentes de escolas públicas de Alvorada e Porto Alegre, que irão usufruir de oficinas extracurriculares nas artes visuais, teatro, dança, circo e música.

Outra conquista dessa nova fase foi a criação de um espaço dedicado às atividades da Bienal dentro do Instituto Caldeira, ampliando as possibilidades de encontro entre arte, inovação, educação e diferentes públicos.

São iniciativas que ajudam a revelar uma característica marcante de Maria Fernanda: sua disposição para fazer a arte circular. Ela parece estar sempre pensando no próximo passo — aonde é possível chegar, quem ainda não teve acesso, que parceria pode ser construída, que projeto pode sair do papel.

E essa movimentação não se restringe às grandes instituições. Maria também dedica energia à valorização dos artistas gaúchos e de toda a cena local de arte e cultura. Apoiar talentos, aproximar pessoas, abrir portas e fortalecer uma rede que muitas vezes trabalha de maneira silenciosa faz parte de sua maneira de atuar.

Talvez seja essa a melhor maneira de compreender sua trajetória: a menina que cresceu em uma fazenda mineira, a jovem economista que veio para Porto Alegre, a executiva que passou pelo mercado financeiro e por grandes empresas, a mãe que encontrou três filhas ao olhar uma fotografia e a mulher que hoje dedica tempo, energia e conhecimento à arte parecem, à primeira vista, personagens de histórias diferentes.

Mas não são. Existe um fio que atravessa tudo isso: a capacidade de se envolver profundamente com aquilo que escolhe fazer. Primeiro vieram a família e a carreira. Depois, a maternidade ampliou sua percepção sobre o que realmente importava. E a arte, que sempre esteve por perto, acabou encontrando o lugar onde talvez Maria Fernanda sempre soubesse que deveria estar.

Hoje, aos 50 anos, ela não abandonou a experiência acumulada no mundo dos negócios. Ao contrário: transformou-a em ferramenta para construir, conectar, viabilizar e fazer acontecer. Seu trabalho na arte acontece justamente nesse território de encontro entre gestão e sensibilidade, estratégia e afeto, recursos e propósito.

Maria Fernanda é incansável nessa busca. Não apenas pela arte em si, mas pela possibilidade de fazer com que ela alcance mais pessoas, esteja presente na formação de crianças e jovens, encontre novos públicos e valorize quem produz no Rio Grande do Sul.

Seu trabalho é, em grande parte, feito nos bastidores: uma conversa, uma reunião, uma parceria, um contato, uma ideia que precisa de alguém disposto a insistir até encontrar o caminho. São movimentos que nem sempre aparecem quando uma exposição é inaugurada ou quando uma instituição abre suas portas, mas que ajudam a tornar essas coisas possíveis.

E talvez esteja aí uma de suas maiores contribuições: compreender que a arte precisa de paixão, mas também precisa de estrutura; que boas ideias necessitam de pessoas dispostas a realizá-las; e que construir uma instituição cultural é, muitas vezes, um exercício de persistência, generosidade e capacidade de reunir pessoas em torno de um sonho comum.

Maria Fernanda parece ter encontrado o seu lugar exatamente nesse ponto: não apenas diante da obra de arte, mas ao lado de quem faz, preserva, divulga, apoia e acredita que ela pode mudar alguma coisa no mundo e, sobretudo, na vida.

Tags
#AAMACRS #ARTE #ARTECONTEMPORÂNEA #BANRISULCULTURAL #CULTURA #EDUCAÇÃO #ESTILOZAFFARI #FUNDAÇÃOBIENALDOMERCOSUL #MACRS #MARIAFERNANDASANTIN #MULHERES QUE AMAMOS #PATRIMÔNIO #REVISTAESTILOZAFFARI

Matérias Relacionadas

PHOTO 3!
Cesta Básica

Bodega Czarnobay: harmonizações
e experiências exclusivas

Abóbora é fruta!
E é uma delícia

Brado: criativo, contemporâneo, saboroso

Matéria Recente

coreana 1
Sabor

Os sabores e códigos da mesa coreana

Aos olhos ocidentais, as peculiaridades da gastronomia coreana vão além dos sabores. Começam no significado das refeições e passam pela forma como são compartilhadas. Espectadores assíduos de k-dramas (as

EDITORIAS

  • Sabor
  • Beber
  • Casa
  • Estilo
  • Viagem
  • Cesta Básica
  • Mulheres que Amamos
  • Bastidores de Cozinha
  • Colunistas

EDITORA
Entrelinhas Conteúdo & Forma

  • Comercial
  • Expediente
  • Site

FIQUE POR DENTRO

     
  • Portal de Privacidade
  • Política de Privacidade para Sites

©2022, Revista Estilo Zaffari | Grupo Zaffari.

Todos os Direitos Reservados.