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Mulheres que Amamos

Sirlei de Souza:
Vida ressignificada

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Por Ana Guerra

16 de outubro de 2026

4 min |
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sirlei 1 - Revista Estilo Zaffari

Mais do que dar um novo destino aos resíduos, a reciclagem transforma vidas, gera oportunidades e fortalece a cidadania

Quando fala sobre lixo, Sirlei de Souza não está apenas ensinando a separar papel, plástico ou vidro. Ela fala sobre dignidade, oportunidade e futuro. Aos 51 anos, a catadora, recicladora e eco influencer tornou-se uma das principais vozes da educação ambiental, usando as redes sociais para mostrar que a reciclagem vai muito além da preservação do meio ambiente: ela pode mudar vidas.

Natural de Santo Ângelo, no noroeste do Rio Grande do Sul, mudou-se ainda adolescente para Porto Alegre. Mãe de cinco filhos, que criou sozinha, encontrou na reciclagem uma forma de garantir o sustento da família. Atuando há 26 anos, ela transformou uma atividade muitas vezes invisibilizada em motivo de orgulho.

Começou nesse ofício pelas mãos de Marli Medeiros, uma das maiores lideranças comunitárias e ambientais do Rio Grande do Sul. Pioneira da reciclagem popular, ela fundou, na década de 1990, o Centro de Educação Ambiental (CEA) Bom Jesus, iniciativa que revolucionou a realidade da comunidade ao unir geração de renda, proteção ambiental e desenvolvimento social, especialmente para mulheres, crianças e adolescentes.

Marli enxergou em Sirlei muito mais do que uma trabalhadora dedicada. Tornou-se sua mentora, incentivando-a a estudar e liderar. A mestre dizia “há vida além dos portões da reciclagem”, o que fez Sirlei acreditar em si mesma. Após a morte da fundadora, em 2018, o projeto passou a ser liderado por Sirlei e por Ana Paula Medeiros, filha de Marli. Juntas, elas têm a responsabilidade de dar continuidade a um legado que ajudaram a construir.

Hoje, tanto o Centro de Triagem da Vila Pinto quanto o Centro de Educação Ambiental seguem funcionando como espaços de transformação social. Mais do que receber materiais recicláveis, acolhem mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo uma fonte de renda e oportunidades de desenvolvimento. As crianças e adolescentes da comunidade encontram atividades no contraturno escolar, enquanto as famílias participam de sessões de cinema, cursos de educação financeira, palestras sobre saúde e oficinas conduzidas por profissionais de diferentes áreas.

Em um ambiente onde muitas chegaram sem perspectivas, Sirlei procura mostrar que a reciclagem pode ser o primeiro passo para reconstruir uma história. Ela própria continua escrevendo a sua. Atualmente cursa Sociologia, movida por uma inquietação que se resume em uma pergunta: por que algumas pessoas têm tanto enquanto outras têm tão pouco? A resposta, acredita, passa pela educação. Seu maior sonho é tornar-se professora e alfabetizar mulheres da comunidade, ajudando-as a ler, escrever e ampliar seus horizontes.

sirlei 2 - Revista Estilo Zaffari

Sirlei faz o que ama, mas lamenta que hoje muitos materiais recicláveis acabem nos lixões, seja por falha na separação, dentro das residências, seja por não contarem com uma política de reuso. Ou seja: não são comercializáveis, por decisão da indústria que os produz ou por descaso do poder público, que não atua mais duramente com leis e regulamentos na área ambiental. Ela dá como exemplo as embalagens de leite: aquelas cartonadas, com material chamado de longa vida, são 100% recicladas. Já os recipientes estilo garrafa pet não são comercializadas no Rio Grande do Sul e em grande parte do Brasil, indo diretamente para o aterro sanitário.

Ela notou que havia a necessidade de levar ao público esse tipo de informação – então, desde outubro de 2025, apoiada pela startup Green Thinking, Sirlei começou a produzir vídeos para as redes sociais sobre a separação correta dos resíduos. Com uma linguagem simples, direta e bem-humorada, esclarece dúvidas, desmistifica informações equivocadas e mostra como pequenas atitudes podem fazer diferença para o meio ambiente e para milhares de famílias que vivem da reciclagem.

O resultado surpreendeu. Diversos vídeos ultrapassaram a marca de um milhão de visualizações, transformando-a em uma referência sobre educação ambiental nas redes sociais. Hoje, reúne cerca de 25 mil seguidores e lançou um e-book com orientações práticas para ajudar a população a separar corretamente os resíduos.

Mas, para ela, os números são apenas consequência. O verdadeiro impacto acontece quando uma pessoa passa a enxergar valor no trabalho dos catadores ou quando uma mulher da comunidade descobre que pode estudar, conquistar independência financeira e construir um novo caminho para si e para seus filhos.

Sua história mostra que a reciclagem não termina quando um material chega ao centro de triagem. Ela recomeça ali, transformando resíduos em renda, conhecimento, cidadania e esperança. Em uma sociedade que ainda costuma enxergar apenas o lixo, Sirlei faz questão de revelar aquilo que realmente importa: o valor das pessoas.

Dicas de Ouro da Sirlei

  • Não misture papel higiênico com lixo seco
  • Remova, com um guardanapo ou água de reúso, restos de alimentos ao descartar embalagens
  • Todo material pode ser reciclado. O que acontece é que nem todos têm comercialização e acabam no aterro sanitário.

shutterstock 87098651 - Revista Estilo Zaffari

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@sirleirecicladora
@ctvpoficial
@ceabomjesus
@greenthinking

Tags
#CENTRODEEDUCAÇÃOAMBIENTAL #EDUCAÇÃOAMBIENTAL #ESTILOZAFFARI #GREENTHINKING #MULHERES QUE AMAMOS #RECICLAGEM #REVISTAESTILOZAFFARI #TRANSFORMAÇÃOSOCIAL

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