
Artista francesa radicada no Rio de Janeiro, Dominique Jardy acaba de lançar o livro-arte Mata Adentro – Natureza e Arte. A obra reúne textos da historiadora Lorelai Kury e fotografias de Jaime Acioli, que registram murais e pinturas da artista em hotéis, restaurantes, fazendas e residências no Rio de Janeiro, Minas Gerias, Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul, destacando espaços como a Casa Farm, a Residência Afonso Prata, em Ipanema, no Rio, e a Residência Hallack, em Petrópolis (RJ). A artista também assina obras no Copacabana Palace, no Grande Hotel Termas de Araxá e na embaixada do Brasil em Praga, sempre com inspiração na fauna e na flora brasileiras.

Dedicada à pintura muralista, Dominique ressalta que sua proposta é levar a natureza para dentro de casa, explorando a paz e o bem-estar que a flora e a fauna transbordam. As plantas e os animais são protagonistas da obra da artista, de forma que suas pinturas criam diálogos diretos com a arquitetura e os ambientes internos. Folhagens tropicais, flores exuberantes e animais em movimento compõem cenários que parecem interagir com o observador, criando paisagens imaginárias que convidam à reconexão profunda com a natureza.

Nascida na França, Dominique Jardy vive no Brasil desde 1985, quando se encantou pela exuberância tropical brasileira, encontrando aqui uma nova fonte de inspiração. Sua arte, marcada por composições vívidas e envolventes, é uma fusão entre o estilo tradicional francês e a arte ornamental italiana, além de outras influências culturais diversas. A partir do final dos anos 1980, a artista incorporou definitivamente temas tropicais às suas pinturas, utilizando pigmentos naturais e tintas à base d’água, seguindo a tradição italiana da pintura mural.

Grande parte da inspiração de Dominique vem da observação direta da natureza. O Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, tornou-se um de seus principais referenciais, percorrido inúmeras vezes em caminhadas e trilhas, o que a levou a perceber a necessidade de estudar mais profundamente o bioma local. A artista também dialoga com a tradição dos viajantes do século XIX, como Debret e Rugendas, reinterpretando paisagens, panoramas e fisionomias vegetais sob uma perspectiva contemporânea.
Para ela, trabalhar com figuras humanas é bem difícil, mas se considera “ousada” com os animais. Um dos seus trabalhos mais marcantes foi realizando na fachada da Fazenda Sossego, em São José do Vale do Rio Preto, onde Dominique revela um lado particularmente lúdico: a natureza deixa de ser paisagem e passa a brincar com a arquitetura. Construída em 1823, a Fazenda Sossego guarda a arquitetura das grandes casas rurais do período do café.

Entre janelas e portas da fachada, Dominique introduziu uma narrativa divertida, com gansos, quatis tocando tambor, macacos que observam tudo do alto da parede. Em alguns pontos, a cena ganha um tom quase festivo, como se os animais tivessem decidido tomar conta da casa. Mas a festa não para por aí: no interior da residência, a história continua, macacos se equilibram em cordas e bandeirinhas, atravessando a pintura como em uma pequena cena circense.